segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

                         Guardar
                            
                          Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
                           Em cofre não se guarda coisa alguma.
                              Em cofre perde-se a coisa à vista.
                      Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
                   admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
                    Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
                  ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
                                  isto é, estar por ela ou ser por ela.
                   Por isso, melhor se guarda o vôo de um  pássaro
                                  Do que de um pássaro sem vôos.
                Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
                         por isso se declara e declama um poema:
                                            Para guardá-lo:
                      Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
                           Guarde o que quer que guarda um poema:
                                        Por isso o lance do poema:
                               Por guardar-se o que se quer guardar.

Antonio Cícero

domingo, 3 de outubro de 2010

Lua. Bright eyes


And everything is lonely
I can be my own best friend.
I get a coffee and the paper;
have my own conversations with the sidewalk
and the pigeons and my window reflection.
The mask I polish in the evening
by the morning looks like shit.

I know you have a heavy heart
I can feel it when we kiss.
So many men stronger than me
have thrown their backs out trying to lift it.
But me I'm not a gamble
you can count on me to split.
The love i sell you in the evening
by the morning wont exists.


sábado, 19 de junho de 2010

Pílula de Nostalgia.

Do tempo em que vivi guardo as melhores lembranças. Nunca imaginei que ter consciência de sua existência lhe tiraria a vida. Tenho saudades do tempo da infância, os dias eram longos. Nos dias longos eu me entediava, e como o tédio me faz falta hoje. Eu me lembro que nesses dias longos eu passava o dia todo do lado de fora, não tinham paredes me cercando. O mais interessante de tudo é que as estações funcionavam, o dia estava imensamente frio, eu mal estava agasalhada e me sentia tão aquecida. Hoje, do lado de dentro, vejo o frio lá fora, sentindo mais frio ainda. Engraçado era como eu gostava de estar sozinha, como imagina cada coisa que me diziam e como levava cada palavra ao pé da letra.
O café que eu tomava era amargo e não me tirava o sono. O refrigerante que eu bebia, o gás ardia. Metade das palavras que eu ouvia, não entendia. Quando minha família me abraçava eu fugia. Comer era uma obrigação e não um prazer. Dormir era chato e tomar banho uma perda de tempo.
Acho que crescer é se tornar ao contrário do passado, essas coisas mudam inversamente. Quando pequenos acreditamos que crescer é adquirir poder, mas na verdade é ganhar uma dose de realidade, na qual nos tira toda a liberdade que tínhamos e nos dá obrigações e preocupações que nos afasta da vida, contraditoriamente para formar uma.
Eu realmente tenho saudades desse tempo em que eu não precisava me encaixar em estereótipo algum. Uma vez que é impossível voltar no tempo, hoje apenas tenho que agradecer ao tempo que me foi tão agradável e vivaz.