O asfalto era quente, o céu meio salgado e aquela altura eu me perguntava onde é que isso iria parar. Deixei que cada resquício de bondade fosse embora de mim, eu tinha me tornado um poço fundo de amargura. Não me culpo em detrimento dos fatos, mas assumo, que havia muita bondade que foi embora em algumas tragadas e goles.
Não respiro mais bem e o asfalto ainda arde nos meus pés, mesmo que não ande mais descalça. É o que me restou, os dias quentes e o suor da pele, é a minha única certeza. Que os dias continuarão quentes, ainda que eu sinta muito frio.