sexta-feira, 22 de junho de 2012

Noturno à janela do apartamento



Silencioso cubo de treva:
um salto, e seria a morte.
Mas é apenas, sob o vento,
a integração na noite.

Nenhum pensamento de infância,
nem saudade nem vão propósito.
Somente a contemplação
de um mundo enorme e parado.

A soma da vida é nula.
Mas a vida tem tal poder:
na escuridão absoluta,
como líquido, circula.

Suicídio, riqueza, ciência...
A alma severa se interroga
e logo se cala. E não sabe
se é noite, mar ou distância.

Triste farol da Ilha Rasa.

C. D. de Andrade 


Poema que há de me acompanhar por esses dias.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

SONHO DE UMA SOMBRA.


Nada ficou senão a marca estampada dos teus dedos na minha coxa.
Nenhuma razão que fosse suficiente para não me mover.
Eu não o culpo. O tempo foge e não cabe a mim.
O vento sopra a carne e o pensamento.
O que antes era, nunca foi.
Feneceremos, e o que quero não cabe a ti.